Teoria das Cores...Herberto Helder

Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor — sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.

in Os Passos em Volta

Lembras-te Anita?

Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Ainda bem que o pintor estava aberto a novas realidades.

    E ainda mais ousou acreditar que na mudança, não tendo medo de arriscar.

    Adoraria uma visita sua ao meu novo blog, ele, ainda, não é tão bonito quanto o seu, mas cada dia que passa vai melhorando, pois acredito que com a visita de muitas pessoas ele vai ficar lindo.

    Se quiser ajudar, e não souber como, divulque, será uma boa ajuda.

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  3. Olá blue eyes

    Ao ler esse excerto que nos remete para uma excelente metáfora, veio-me à ideia uma citação que não anda muito longe de resumir e remeter o seu significado para o todo do nosso ser:
    "No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar."

    August Strindberg

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  4. Olá Monge,

    Pudesse eu 'metamorfosear' a dor e transformá-la em algo positivo...sofro muito com a 'partida' do meu pai e também me sinto nesse processo de crisálida em busca de uma nova forma de amor...longe do sorriso, longe do abraço, longe da voz...é duro viver de lembranças.

    Fica bem amigo...que amanhã tenhas um feliz Dia do Pai.

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  5. herberto helder no seu melhor

    tem outros também muito belos como este mas toca-me bastante esta história deste pintor.
    talvez por coincidências...

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  6. Bem-vinda Ivone...este poema tem de facto algo que prende à atenção e pode de facto aplicar-se às nossas vidas.

    Fica bem.

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